domingo, 11 de julho de 2021

Desertos

Esse mundo é um deserto. Não há terreno fértil pra que algum bem floresça. Por isso é tão difícil encontrar bondade por aí. Não há espaço adequado pra que o amor se enraíze e cresça. Por isso é tão raro. Não encontramos amor no mundo, não importa onde se procure. Dificilmente se encontra em alguém, em outra pessoa.

Quem quiser viver o amor no mundo precisa trazê-lo de sua alma, cultivá-lo dentro de si. Talvez por isso, temos tanto desespero em procurar amor no outro.

Quem é capaz de olhar para a própria alma? Quem tem coragem de conhecer a si mesmo? Quem tem o empenho e cuidado para cultivar algo tão abstrato?

É tão mais fácil esperar que o mundo nos entregue tudo pronto. Chorar como uma criança esperando que alguém nos dê amor. Manipular aqueles que carregam a cruz da própria bondade e roubar-lhes o amor que tanto trabalho tiveram para criar.

A maioria de nós passa por esse planeta como um parasita. Recebemos amor, recebemos bondade, recebemos luz. E nada fazemos com isso. Apenas consumimos o que nos foi dado sem nenhuma responsabilidade. Apenas esperamos mais, como se o que temos não fosse o suficiente. Não queremos ter o trabalho de plantar, criar, cultivar, cuidar, regar, compartilhar...

Enquanto isso a semente de amor que trazemos em nossa alma apodrece. E apodrece da pior forma possível, escorrendo seu limo em nossa carne viva, criando sofrimento em cima de sofrimento.

Nossas raízes também apodreceram nesse caminho. Nossos pais, avós, bisavós não puderam nos dar o amor que precisávamos porque também se perderam nesse mundo desértico e amaldiçoado.

No fim, o que nos resta é aprender a transformar toda essa podridão em adubo e permitir que nossa semente interior nasça, da forma que puder nascer.

Aprender a abençoar nossas raízes em meio a tantas maldições, esse é o caminho de salvação das nossas almas perdidas. É um enorme desafio.



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